Quando a porta se abriu,
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segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Visitação
Quando a porta se abriu,
perguntaste
quem era.
Não
se pergunta ao amor
que
nome tem.
Albano Martins,
Escrito a Vermelho, 1999
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Poeta Albano Martins nas Quartas Mal Ditas

No próximo dia 1 de dezembro, pelas 22 horas,
o poeta Albano Martins será o convidado especial das Quartas Mal Ditas do Clube Literário do Porto, no ano em que completa 80 anos de vida e 60 de actividade literária.
Serão lidos poemas da sua autoria por Amílcar Mendes, Ana Almeida Santos, Anthero Monteiro, António Pinheiro, Cláudia Pinho, Isabel Marcolino, Mário Vale Lima e Rafael Tormenta.
Voz e guitarra acústica de Carlos Andrade.
Coordenação de Anthero Monteiro.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Chove lá fora
Há um silêncio enevoado e triste
a saber a demora
sobre tudo o que existe.
Minha alma recolhe-se do frio
e une as mãos às mãos do sentimento.
Chove lá fora. Engrossa o rio
do meu pensamento.
O dia agora é um lençol molhado
estendido ao longo dos caminhos.
Eu sou este dia de março
a arrefecer o amor dos primeiros ninhos.
Albano Martins, Assim São As Algas,
Porto, Campo das Letras, 2000, 1.ª ed.
_________
Albano Martins, natural do Telhado, Fundão, e residente em Vila Nova de Gaia, fez em Agosto 80 anos e está a comemorar os 60 anos de vida literária. Por isso mesmo, será o convidado especial da próxima sessão das Quartas Mal Ditas, no Clube Literário do Porto, na quarta-feira, dia 1 de Dezembro 2010.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Porto

Coração que do rio
o sangue e a música retira.
Gaivota de pedra,
Navio
E lira.
Albano Martins
Poeta nascido em 1930 na aldeia do Telhado, Fundão. Licenciado em Filologia Clássica, foi professor do Ensino Secundário, inspector da Inspecção-Geral de Ensino e posteriormente Professor da Universidade Fernando Pessoa, no Porto.
Tradutor premiado, é autor de múltiplos livros de poesia como Secura Verde (1950), Rodomel Rododendro (1989), Entre a Cicuta e o Mosto (1982), Uma Colina para os Lábios (1993), Com as Flores do Salgueiro (1995), Escrito a Vermelho (1999), Assim São as Algas (2000), Frágeis São as Palavras (2004), entre outros.
A sua obra tem merecido a atenção de alguns dos mais import6antes críticos e ensaístas portuguesescontemporâneos (António Ramos Rosa, Eduardo Lourenço, Eduardo Prado Coelho, etc.).
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
O jardim adormecido

Mahnud Darwich in
www.campo-letras.pt/
Quando o sono a tomou nos braços, retirei a mão,
contornei os seus sonhos,
vi o mel desaparecer atrás das suas pálpebras,
orei por duas pernas miraculosas.
Inclinei-me sobre as palpitações do seu coração,
vi trigo sobre mármore e sono.
Uma gota do meu sangue chorou,
estremeci...
Um jardim dorme no meu leito.
Dirigi-me para a porta
sem olhar para a minha alma sempre adormecida.
Ouvi o rumor antigo dos seus passos e o sino do meu coração.
Dirigi-me para a porta.
- A chave está na sua bolsa
e ela dorme como um anjo depois do amor -
Noite chuvosa na rua e nenhum ruído,
a não ser as palpitações do seu coração e a chuva.
Dirigi-me para a porta.
Esta abre-se.
Saio.
Ela fecha-se.
A minha sombra desliza atrás de mim.
Porque digo adeus?
Eu sou, a partir de agora, estranho às lembranças e à minha casa.
Desci as escadas.
Nenhum ruído,
a não ser as palpitações do seu coração, a chuva
e os meus passos sobre os degraus que vão
das suas mãos a um desejo de viajar.
Cheguei à árvore.
Aqui, ela abraçara-me.
Aqui, feriram-me raios de prata e de cravos.
Aqui, começava o seu universo.
Aqui, ela terminava.
Parei durante alguns instantes feitos de lírio e de inverno,
caminhei,
hesitei,
depois avancei.
levava os meus passos e a minha memória salgada.
Caminhei na minha companhia.
Nem adeus nem árvore.
Os desejos adormeceram atrás das janelas,
as histórias de amor e as traições
adormeceram atrás as janelas,
e os agentes de segurança também.
Rita dorme... dorme e desperta os seus sonhos.
De manhã terá o seu beijo
e as suas visitas,
em seguida preparará o meu café árabe
e o seu café com leite.
Interrogar-me-á, pela milésima vez, sobre o nosso amor.
Responder-lhe-ei:
Eu sou o mártir das mãsos que
todas as manhãs me preparam o café.
Rita dorme... Dorme e desperta os seus sonhos
- Vamos casar-nos?
- Sim.
- Quando?
- Quando o lilás crescer nos bonés dos soldados.
Ultrapassei as ruelas, o edifício dos correios, as esplanadas dos
cafés, as boites nocturnas e as suas bilheteiras.
Amo-te, Rita. Amo-te. Dorme.
Daqui a treze invernos, perguntarei,
perguntarei:
- Ainda dormes?
- Já acordaste?
Rita! Rita, amo-te.
Amo-te...
Mahmud Darwich, O Jardim Adormecido e outros poemas,
Selecção e tradução de Albano Martins,
Porto, Campo das Letras, 2002
M.D., o poeta dos palestinos, nasceu na Galileia em 1942 e faleceu a 8 de Agosto de 2008 num hospital de Houston, nos Estados Unidos, na sequência de uma intervenção cirúrgica ao coração.
Em 1948, as tropas israelitas obrigaram-no a partir com a família para o exílio, regressando clandestinamente um ano depois. Foi preso cinco vezes. Viveu em Moscovo, no Cairo, em Beirute, em Amã (Jordânia) e Ramallah (Palestina).
Em 1993, demitiu-se da OLP, a que aderira, em protesto contra os acordos de Oslo. Criticava a «mentalidade israelita de guetto» e a política que impediu a criação de um estado palestino viável. Neste poema e noutros poemas, Rita é a sua amada israelita.
Darwich ficou muito conhecido na sequência do seu poema "Bilhete de Identidade":
"Escreve!
Sou árabe.
Roubaste os pomares dos meus antepassados
e a terra que eu cultivava com os meus filhos;
não me deixaste nada,
apenas estas rochas;
O governo vai tirar-me as rochas,
como me disseram?
(...)"
Etiquetas:
Albano Martins,
Amor - um não sei quê...,
Mahmud Darwich
domingo, 28 de setembro de 2008
Balada para os poetas andaluzes de hoje
Que cantam os poetas andaluzes de agora?
Que olham os poetas andaluzes de agora?
Que sentem os poetas andaluzes de agora?
Cantam com voz de homem, mas onde estão os homens?
Cantam com voz de homem, mas onde estão os homens?
Com olhos de homem olham, mas onde estão os homens?
Com peito de homem sentem, mas onde estão os homens?
Cantam, e quando cantam parece que estão sós.
Olham, e quando olham parece que estão sós.
Cantam, e quando cantam parece que estão sós.
Olham, e quando olham parece que estão sós.
Sentem, e quando sentem parece que estão sós.
Será que Andaluzia já não tem ninguém?
Que nos montes andaluzes já não há ninguém?
Que nos mares e campos andaluzes não há ninguém?
Que nos montes andaluzes já não há ninguém?
Que nos mares e campos andaluzes não há ninguém?
Já não haverá quem responda à voz do poeta?
Quem olhe o coração sem muros do poeta?
Quem olhe o coração sem muros do poeta?
Tantas coisas morreram, que só resta o poeta?
Cantai alto. Ouvireis que outros ouvidos ouvem.
Olhai alto. Vereis que outros olhos olham.
Olhai alto. Vereis que outros olhos olham.
Pulsai alto. Sabereis que outro sangue palpita.
Não é mais fundo o poeta no seu escuro subsolo
encerrado. O seu canto ascende ao mais aprofundo
quando, solto no ar, já pertence a todos os homens.
Não é mais fundo o poeta no seu escuro subsolo
encerrado. O seu canto ascende ao mais aprofundo
quando, solto no ar, já pertence a todos os homens.
Rafael Alberti, Antologia Poética, Porto, Campo das Letras, 1998
Tradução de Albano Martins
Tradução de Albano Martins
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