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sábado, 9 de janeiro de 2010

Sábado







Alfonsina Storni in
yoreme.wordpress.com










ME LEVANTE temprano y anduve descalza
Por los corredores: bajé a los jardines
Y besé las plantas
Absorbí los vahos limpios de la tierra,
Tirada en la grama;
Me bañé en la fuente que verdes achiras
Circundan. Más tarde, mojados de agua
Peiné mis cabellos. Perfumé las manos
Con zumo oloroso de diamelas. Garzas
Quisquillosas, finas,
De mi falda hurtaron doradas migajas.
Luego puse traje de clarín más leve
Que la misma gasa.
De un salto ligero llevé hasta el vestíbulo
Mi sillón de paja.
Fijos en la verja mis ojos quedaron,
Fijos en la verja.
El reloj me dijo: diez de la mañana.
Adentro un sonido de loza y cristales:
Comedor en sombra; manos que aprestaban
Manteles.
Afuera, sol como no he visto
Sobre el mármol blanco de la escalinata.
Fijos en la verja siguieron mis ojos,
Fijos. Te esperaba.

Alfonsina Storni

sábado, 20 de dezembro de 2008

Tu queres-me branca

Queres-me toda alva
queres-me de espuma,
queres-me de nácar.
Que seja a açucena
mais imaculada,
de ténue perfume,
corola fechada,

Por raio de luar
nem sequer beijada,
que nem a uma pérola
seja comparada.
Tu queres-me nívea,
tu queres-me branca,
queres-me toda alva.

Tu que foste dono
de todos os trunfos,
com os lábios roxos
de frutos e mel.
Tu que nas orgias
coberto de pâmpanos
as carnes deixaste
celebrando Baco.
Tu que nos jardins
negros da traição
vestiste de púrpura
até à podridão.

Tu que o esqueleto
conservas intacto
nem sequer entendo
porquê tal milagre,
pretendes-me branca
(que Deus te perdoe)
pretendes-me casta
(que Deus te perdoe)
pretendes-me alva!

Foge para os bosques,
vai para a montanha,
lava bem a boca,
vive nas cabanas,
toca com as mãos
a terra molhada,
alimenta o corpo
com raiz amarga,
bebe dos rochedos
e dorme ao relento

Renova os tecidos
com sal e com água,
fala com os pássaros,
ergue-te à alvorada.
E quando o teu corpo
te for devolvido,
e quando puseres
nele aquela alma
que pelas alcovas
ficou enredada,
então tu, bom homem,
pretende-me branca,
pretende-me nívea,
pretende-me casta.

Alfonsina Storni, tradução de Anthero Monteiro

Foto in www.lacotelera.com

Monumento de Luis Perlott a Alfonsina Storni, na praia La Perla, no mar del Plata, onde a poeta argentina se suicidou em 25 de Outubro de 1938.