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terça-feira, 6 de maio de 2014

Testemunho – Contributo para a apresentação da obra “Sulcos da Memória e do Esquecimento”, de Anthero Monteiro







JOÃO AREZES 
por
Amílcar Mendes





Deslinda-se desde logo na obra de Anthero Monteiro um caudal de escrita poética de cariz misto, em termos de conteúdo temático, algo entre o ficcionado e o real autobiográfico. O autor parece querer, por um lado devorar a memória de algumas cicatrizes que emergem, pretende de algum modo exorcizá-las e pôr em evidência aquilo que está bem tracejado na mente, enquanto coisa positiva. 

O regresso à infância está bem patente, sobretudo nas primeiras páginas. Há como que um cordão umbilical do pensamento a convocar o autor até à mais tenra idade, disso faz prova o poema “os primeiros passos”, um quadro de visão imagética que questiona, sem deixar de o aceitar, um certo misticismo e é até possível vislumbrar um namoro ao conceito de Alegoria da Caverna, o mistério da vida possibilita estas divagações. Um poema de todo em todo fotográfico, num certo preto e branco que sorri.

Em “104 palmatoadas” há toda uma descrição de ambiência escolar punitiva para com os alunos, paradigma e apanágio do Antigo Regime. O autor, face a uma notável vocação para as lides das letras, superiorizava-se aos demais colegas nos ditados e é, consequentemente e a contragosto, investido da condição de carrasco no castigo aos que mais erros davam. Em vez de um machado, ao algoz era fornecida uma régua, instrumento com o qual se mediam os erros ortográficos dos outros, numa estatística de contabilidade dolorosa. Escusado será dizer com o que contava o autor no exterior do estabelecimento de ensino.

A esta jornada vivencial convertida em obra poética soma-se a chegada do seu primeiro grande amor. A primeira dona do “ás de copas” do autor foi “benilde”. (…) Conheceu-a na festa de agosto, passeou com ela de mãos dadas, o olhar obcecado pela luz que irradiava aquele rosto mais grácil e doce do que o da santa do andor.

Os amores precoces são voláteis na duração, mas perduram na memória para todo-o-sempre. Aos 9 anos de idade a desilusão tem mais ênfase que a consciência. O resultado de um amor não correspondido degenera num pedido para ir estudar para padre.

E a exorcização do mal passa das reguadas com que brindava os outros na sala de aula para o chicote com que era tatuado maternalmente quando se portava mal, falamos de “diavolo in corpo”.

“a besta” é um exercício de quem não perdoa e não esquece um período negro no seminário. Reporta-se à figura de um diretor cuja fotografia neuronal tirada pelo autor, é verdadeiramente e na essência um momento Kodak: para mais tarde recordar.

Quem há de esquecer se a recordação se sobrepõe ao ódio e é um ferrete indelével na pele do escravo. Basta lembrar um claustro, a capela ou a sala do capítulo daquela casa para logo perceber como ela ficou para sempre assombrada pela figura voluminosa do diretor.
“o meu ribeirinho” é uma recordação lamentada e simultaneamente conformada, preenchida de um valor telúrico de outros tempos vividos e da clivagem que se opera face às mudanças entretanto ocorridas. Há uma boa dose de nostalgia e aqui se releva o papel recorrente da memória, porque só ela consegue dar vida às coisas que já desapareceram.

No caso de “um domingo e muitos mais” trata-se de um poema seminal da obra, pleno de candura, a evocar o romance que o une à sua companheira de há meio século. Por conseguinte, as páginas 36 e 37 são um sublinhado estético do quanto uma história de amor se renova numa declaração contínua a esse mesmo sentimento e acabam por tornar o poema num imperativo de leitura.

“a confissão” é um relato de quem inocentemente espera uma redenção suave e sofre uma sentença inesperadamente castigadora. De algum modo, o autor tributa-a como inversamente pedagógica para o penitente: E foi remédio sacrossanto, emendei-me para sempre, nunca mais disse a verdade.
Logo a seguir surge o episódio poético que dá pelo nome de “páscoa”, moldado em lembranças, deambula entre o religioso temático e o paganismo de situação. Irónico, mas nostálgico, pois enquanto criança não se questiona a validade das asserções: Como era bom acreditar sem nada questionar. Os olhos outra vez surpresos por tudo se repetir cada ano (…).

“questão de espaço” remete para o ateísmo do autor, segundo ele “Deus tem, reconheço, uma enorme vantagem, existe em toda a parte mas não ocupa espaço nenhum”.

“fatal esquecimento”, “luto” e “alzheimer” e “cadeira de rodas” que enquadram a doença e a morte e dissertam sobre a perda dos nossos entes queridos. São uma espécie de pontos de paragem, sendo também pontos de passagem existencial dos outros que marcam as nossas vidas.

Por outro lado, “o promontório” é o país das glórias passadas a fazer uma análise introspetiva, a conjugar-se no pretérito, mas também no presente do indicativo. A antítese entre a História grande da nação versus a memória curta dos que a habitam.
“obrigado sou feliz” é outro dos poemas essenciais da obra, impregnado de ironia ácida, faz-se compreender pela razão inversa entre a palavra e o propósito. Uma espécie de drama cómico situacional, essa relação de tragicomédia em que todos estão dispostos a ajudar e a fazer com que sejamos felizes…deixando-nos nas cordas! Dir-se-ia que é um poema de final infeliz, mas com humor conclusivo bem recortado.

“olvido” estabelece o contraponto entre a memória e o esquecimento. Na incidência de conteúdo prevalece o esquecimento, mas o que é o esquecimento senão a ausência de memória? Este esquecimento que reside no poema é personificado por Olívio que assume a alcunha de Olvido.

“um poeta amnésico” poderia denominar-se por “poema do medo de perder a memória” e “poema do homem sentado” bem poderia ser uma peça de Beckett ao jeito de “À Espera de Godot”. “notas para um epitáfio” e “últimas palavras” são uma antevisão parodiada da morte.

Como rodapé deve dizer-se que “Sulcos da Memória e do Esquecimento” tem um desenho poético-literário bem alicerçado, rico em sugestões metafóricas que auxiliam à assimilação da obra. Embarcamos num navio da memória, que tenta sulcar as ondas de esquecimento: a saudade, a tristeza, as injustiças e uma certa impotência em lutar contra Kronos, o eterno vencedor. Conquanto que as boas recordações de infância, adolescência e idade adulta sejam enfatizadas com sábias doses de ironia e sátira, há também alegria e humor. Mas sobretudo subsiste um virtuosismo de escrita que conferem à obra o elã de criar o apetite para a fruição de uma boa dose de nutrição poética.


João Fernando Arezes (jornalista)

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

"Sulcos da Memória e do Esquecimento, de Anthero Monteiro" - UMA EPIFANIA DA PALAVRA



O livro Sulcos da memória e do esquecimento de Anthero Monteiro é uma ars memoriae, um tecido híbrido de linguagens, cuja corporalidade se recorta livremente, não ferindo, contudo, a natureza singular da escrita poética. Em larga medida, este livro tem um caráter autobiográfico e constitui uma reconstrução poética e metafórica das memórias da infância e doutros momentos da vida, uma reconstituição interpretativa, cuja estratégia passa por uma espécie de álbum verbal, construído com imagens-modelo do quo­tidiano, que conjuga magistralmente a trama narrativa com a linguagem da poesia.

Comecemos pelo título Sulcos da memória e do esquecimento: o termo “sulco” aponta para a ideia de ferida, ruga, caminho. E de facto é disso que se trata: de um caminho, de uma experiência pessoal vivida e sentida na sua inteireza. É um percurso identitário onde a memória tem um lugar privilegiado numa linha isotópica constante.

A exploração cria­tiva das memórias dolorosas revela-se em inúmeras experiências, nomeadamente, a experiência vivida no tempo em que era aluno num colégio:

olho estas mãos e nem elas esquecem
que eram naquele tempo dedinhos de ternura
(…)
quem há de esquecer a brutalidade
exercida sobre a inocência
o escárnio perante a candura
o ardil para surpreender a falta
o sadismo das punições em série
a adolescência ocupada pela arbitrariedade
(…)

Neste livro espaço/tempo há construção e reconstrução, há montagem de escombros e fragmentos de um passado que se torna presente pela vontade do sujeito poético, pelo trabalho laborioso de (re)significação das memórias dolorosas.

Através da poesia, o poeta procura libertar-se das vivências que ainda permanecem retidas no arquivo da memória e o aprisionam, não hesitando em ex­por corajosamente eventos autobiográficos. O poema “diavolo in corpo” evoca a imagem da relação primordial mãe/filho de aguda ambivalência, para ser exorcizada da memória, para constituir, depois, uma espécie de reconciliação tardia com a infân­cia, sobretudo com a memória da mãe. A imagem evocada, não sendo a imitação do facto, corresponde à forma visível da possibilidade de existência.

Neste registo da memória, nesta reconstrução da existência, convém entender também a ordem e a seleção implicada nos momentos significativos da narrativa pessoal. O poeta configura primeiramente o espaço da intimidade onde circulam os afetos, as angústias, os sucessos, constituindo uma espécie de diário íntimo. Depois vai tecendo também uma teia de relações, uma teia que é portadora da memória dos outros que se entretece com a memória pessoal e que diz, não apenas respeito à história pessoal, à memória individual, mas também à das pessoas que o acompanham no decurso da vida.
O esquecimento é aqui entendido como uma força modeladora, uma espécie de guardião da consciência, tal como o concebeu Nietzsche, capaz de fechar as portas da consciência, poupando o ser ao sobressalto das lutas que se travam na interioridade, assim permitindo, temporariamente, alguma tranquilidade e até alguma esperança. Sem esta funcionalidade do esquecimento, o ser não experimentaria o presente e tornar-se-ia prisioneiro do passado.
É a memória que capacita o ser para o novo, que capacita o ser para se reinventar, projetando-se outro no futuro, ou seja, através da memória e do esquecimento, como mecanismos ativos, o homem apropria-se de novas formas de viver a vida, de novas formas de lidar com a temporalidade, de novas formas de reconciliação.
Como bom discípulo de Nietzsche, o sujeito poético desce ao seu próprio submundo, autoanalisa-se, sofre desmesuradamente, esquece/assimila o que considera mais apropriado, lembra/continua a querer o já querido, através da memória da vontade, e emerge, já desprovido de ressentimento, já reconciliado, liberto para o novo.

No poema “a besta” o poeta afirma: este é o panegírico possível / quase já despido de ódios porque a morte / tudo lava e leva; no poema “diavolo in corpo” volta a afirmar: escrevo este poema para esconjurar / de vez a lembrança de cada chicotada / e nunca me esquecer / do maternal amor.

Mas, como já se disse, este livro é uma ars memoriae. Também aqui se dá conta do estiolar da memória, da sua perda, da perda de si e do outro porque já não se tem a capacidade de lembrar ou de reter e se habita o agora que é um tempo/espaço do vazio; porque a mãe que eu julgava / ter-me trazido ao mundo / esqueceu/ o meu nome; porque dentro dela entrou o simum e espalhou um deserto / o silêncio habita quase sempre este corpo inexpressivo.

Sulcos da Memória e do Esquecimento revela ainda uma aguda consciência do efémero, e a noção de uma espécie de agoridade, que configura o momento em que o tempo passa a ser compreendido como um espaço de passagem. Assim, por exemplo, em “primeiros passos” o poeta confirma estes pressupostos:  

tudo poderia ter sido como na tela de millet
mais tarde reinventada a seu modo por van gogh
é como se ambos tivessem presenciado a mesma cena
não de ângulos diversos mas em momentos diferentes

Pelo que já se enunciou, pela escrita, antes de mais. Pelo conteúdo. Pelo imaginário. Pela nobreza com que evoca o tradicional e convoca a originalidade.

Pelo desvendamento de um certo modo de ser português, pela imensa capacidade de perdão, pelas infinitas leituras que a obra permite, pela vocação intertextual… é lícito afirmar que este livro é uma das joias da literatura portuguesa.

Maria Helena Padrão 
doutorada em Teoria da Literatura
investigadota do CELCC CIAC e CETAC

in "AS ARTES ENTRE AS LETRAS" n.º 114 - 15 janeiro 2014

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sete vezes sete nuvens de Anthero Monteiro no Púcaros Bar

Foi assim no dia 21/7 no Púcaros Bar, nas Arcadas de Miragaia, em frente à Alfândega do Porto. Bar repleto. O editor da Corpos Editora e da Egoiste, chancela sob a qual surgiu o livro de Anthero Monteiro - Sete Vezes Sete Nuvens - abriu a sessão para falar exactamente dessa nova chancela como algo que privilegia os autores mais conceituados.

Anthero Monteiro, o autor, deu algumas explicações sobre a estrutura formal do seu livro, dissertou sobre o número Sete e a sua relevância em todos os aspectos da cultura e resumiu o que sobre a sua nova obra fora dito e escrito por outros, acabando por agradecer a todos quantos permitiram esta edição e este acto público de lançamento.

A sessão prosseguiu com a leitura de poemas do livro pelo autor, por Ana Almeida Santos, Cláudia Pinho e por alguns dos presentes que para tal se voluntariaram.

Abrilhantou o convívio o cantor Carlos Andrade com a sua viola acústica e canções ao gosto do autor.

E a noite poética prosseguiu como sempre acontece no Púcaros Bar, na passagem da quarta para a quinta-feira até cerca das duas e meia da matina.

terça-feira, 20 de julho de 2010

SETE VEZES SETE NUVENS no Púcaros Bar


Desta vez, as nuvens vão pairar sobre o Porto, mais propriamente nas Arcadas de Miragaia, em frente à Alfândega, por volta das 23 horas de amanhã, 21/7.

Leituras de poemas do livro.

Música por Carlos Andrade, na guitarra acústica.

Segue-se a habitual noite poética que se realiza todas as Quartas-Feiras há mais de 13 anos no Púcaros Bar.

domingo, 18 de julho de 2010

Último livro de Anthero Monteiro na revista Notícias Sábado (NS') de 10/7















Sete Vezes Sete Nuvens
Anthero Monteiro
Egoiste

Nos sete capítulos que dividem o livro, Anthero Monteiro desfia a sua visão do mundo em poemas que revelam um desejo comunicacional não tão frequente como isso na poesia portuguesa de hoje.

Das memórias da infância ao (des)amor, o universo poético do autor de Desesperânsia é marcado por uma interpelação serena do quotidiano, embora assuma um tom de maior inquietude quando aborda a relação com o divino:

«Deus escreve torto/ e erra como os mortais / e aos deuses /
é impossível perdoar».

In NS' - Notícias Sábado n.º 235, 10/07/2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

SETE VEZES SETE NUVENS: lançamento em Espinho














se reconheço em mim

algum dom é apenas o de saber fabricar nuvens

mas não sei se elas chovem depois nem onde chovem

sei apenas que como todas as nuvens

troteiam nas estepes azuis como promessas

ou lançam-se à desfilada como terríveis ameaças


(De "Prefácio embrulhado em nuvem" in Anthero Monteiro, SETE VEZES SETE NUVENS)


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Tudo se cumprirá - assim espero - na próxima sexta-feira, dia 16 de Julho, pelas 21.30
horas, na Biblioteca Municipal de Espinho (ao lado do HOTEL PRAIAGOLFE, nas traseiras da Piscina Solário Atlântico, a alguns metros da Praia da Baía).

Aí será lançado o meu novo livro, com chancela da Egoiste, com apresentação do escritor e jornalista SÉRGIO ALMEIDA e leitura de alguns poemas.

Como todos imaginam, o autor ficaria imensamente feliz com a companhia dos seus amigos e amigas.

Anthero Monteiro


terça-feira, 29 de junho de 2010

Entrevista de Anthero Monteiro ao semanário Terras da Feira

Saiu ontem no Terras da Feira uma entrevista dada por Anthero Monteiro à directora daquele semanário, Sara Oliveira, a propósito sobretudo, mas não só, do lançamento do último livro do poeta, Sete Vezes Sete Nuvens.

Eis o teor da



ENTREVISTA


"Sete vezes sete nuvens". O número sete tem algum significado especial?

. O número sete é, como sabemos, um número mítico, místico, cabalístico, sagrado, mágico, extremamente recorrente em todos os sectores da vida e do Mundo: a História, a Geografia, a Religião, a Magia, o Esoterismo, a Arte, a Astronomia, a Física, a Filosofia, a Lenda, etc. Se começássemos a citar exemplos, nunca mais acabaríamos. A numerologia atribui-lhe um significado ligado à perfeição e à manifestação do divino na Terra e no Cosmos. No caso do meu livro, serve também na perfeição, porque traduz uma extensão nem demasiado diminuta nem demasiado extensa, para a reunião que nele foi feita de 7 temas com 7 poemas cada um, ou seja 49 poemas, a que adicionei, a abrir, o que chamei um “prefácio embrulhado em nuvem”. Logo, trata-se de uma colectânea de 50 poemas.

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E por que razão nuvens?

. O prefácio explica isso. Partindo da recorrência da chuva nos momentos mais importantes da minha vida (desde o casamento, às datas de lançamento de quase todos os meus livros, passando pelo data da minha chegada a Cabo Verde, após uma seca de 5 anos – tudo coincidências decerto, pois não sou certamente o homem que manda chover), acabo por identificar um poema com uma nuvem, pelo quanto ele é também algo obscuro e uma promessa de fertilidade ou de desgraça. Portanto, sete nuvens são os sete poemas de cada tema.


Um livro de poesia que fala de que assuntos?

. Lá vêm os sete temas, que surgem enunciados de uma forma mais poética, mas que aqui traduzo para simplificar: o regresso à infância, os enigmas da vida, o erotismo, o amor e as suas ciladas, o desamor e os seus desencantos, o divino ou o não divino e, finalmente, a morte.

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Há mensagens a transmitir através da poesia? No seu caso, o que pretende fazer chegar aos leitores?

. Claro que há mensagens, mas não tanto a intenção de persuadir ou provocar a mudança de ideias, como acontece nos discursos político ou publicitário. O poeta é alguém que está disponível para se aperceber de que a vida não é apenas o que nos surge perante os olhos imediatamente e logo ali no primeiro plano. Há muito mais por detrás. E o poeta abre essa cortina para o outro lado. Pode partir do quotidiano e de tudo o que lhe é familiar, mas desvela e cria um mundo outro, hipoteticamente algo mais habitável do que o real.


Num livro de poesia é fácil agregar temas ou cada poesia vale por si mesma?

. Normalmente cada poesia vale por si mesma, mas é perfeitamente viável, como aconteceu neste livro, reunir poemas sobre um mesmo tema ou sobre vários.


Se pudesse resumir numa frase o seu novo livro, o que escreveria?

. Não se me afigura fácil tal tarefa, exactamente porque os poemas não obedecem todos ao mesmo tema, mas, afinal, os sete temas que reuni resumem o essencial da vida de cada homem, do nascimento à morte. São assim como os sete pecados capitais, os sete sacramentos ou as sete maravilhas do mundo.


Depois da Feira do Livro, onde e em que dias irá apresentar o livro? Há alguma sessão na Feira?

. Ainda não há datas marcadas, mas o livro será seguramente apresentado noutros locais. Já há várias solicitações no Porto. Mas estou disponível para outros locais, inclusivamente na Feira. Talvez o interesse deva ser mais meu, mas eu gostaria de ver que a Feira, por exemplo, se interessa também pelo que escrevo, tanto como o Porto ou Espinho ou muitas outras localidades do país, que me solicitam mais, como aconteceu este ano com S. João da Madeira ou Penafiel, por exemplo. Ou será que também nesta questão se aplica o provérbio “Ninguém é profeta na sua terra” (profeta ou poeta)? Mas nunca esquecerei - e por isso estou-lhe grato - que o Terras da Feira tem seguido sempre com interesse a minha trajectória poética e não só.


Continua na Biblioteca Pública de Oleiros? Como tem sido o seu trabalho?

. Por essas e outras é que eu digo que ninguém é profeta na sua terra. Estou na direcção dessa Biblioteca Pública há pelo menos 30 anos: metade da minha vida de voluntariedade total. Exceptuando uma vez mais o Terras da Feira, já alguém terá reparado nisso? Mas eu não quero que reparem em mim, pois tenho comigo gente que há muito também se entrega a este trabalho. Quero que os responsáveis reparem na nossa colectividade e saibam distinguir o acessório do essencial, porque uma biblioteca, mais do que uma igreja, desenvolve um trabalho de base para a formação de qualquer cidadão e é um serviço gratuito e interminável. É como no mito de Sísifo: há uma rochedo para arrastar até ao cimo da montanha e quando lá se chega, ele rebola de novo para o sopé. E é preciso recomeçar continuamente. E é por isso que o nosso trabalho é sempre difícil e foi ainda mais difícil no último mandato com a mudança forçada de instalações.


E o que tem feito pela poesia? sei que tem andado por muitos sítios...

. Desde fevereiro até agora, tem sido um autêntico corrupio: participação no programa Tucátulá em Espinho, organização da Onda Poética, coordenação das Quartas Mal Ditas no Clube Literário do Porto, espectáculo poético para crianças na Biblioteca Municipal de Gaia e noutras associações, envolvimento na Semana da Poesia à Mesa em S. João da Madeira, tertúlias, visitas a escolas de todos os níveis de ensino, feira do livro do Porto, outros muitos eventos poéticos e de divulgação do livro e da leitura. É impossível agora referir tudo. No concelho da Feira, apenas estive no Colégio de Santa Maria de Lamas, um êxito devido sobretudo aos professores da casa, e em sessões de poesia organizadas por mim em Mozelos e em S. Paio de Oleiros, dois interessantes eventos muito bem sucedidos.


Algum comentário sobre os 10 anos de vida da Biblioteca da Feira, nas actuais instalações...

. Pelo que me é dado perceber, foram 10 anos de muitas concretizações ao serviço da leitura e da cultura em geral, dez anos de trabalho intenso, numas instalações que parecem ter tudo para continuar a ser um exemplo a seguir. Mas, como o concelho é muito extenso, a Biblioteca não é apenas as instalações da sede do concelho, mas também todos os outros pólos por ele espalhados: um trabalho ainda mais hercúleo. Não posso esquecer o pólo de S. Paio de Oleiros, que, apesar de toda a colaboração e apoio que lhe tem sido dado, pouco mais é do que um projecto. Creio que é preciso avançar mais rapidamente na sua concretização, a começar pela urgente necessidade de a Câmara Municipal assumir e satisfazer os compromissos que tem, desde o início, com a pessoa que tão gentilmente nos cedeu as novas instalações, isto para não falar dos subsídios atrasados que põem em causa a nossa sobrevivência. É preciso ainda (e isto também nada tem a ver com a Biblioteca Municipal) que os responsáveis nos ouçam, falem connosco e cumpram as promessas que nos são feitas sempre com grande espavento em épocas eleitorais. Nós já não somos criancinhas sempre à espera de um chupa. Tratem-nos como gente que cresceu ao serviço gratuito e voluntário da leitura, da cultura e das populações. Reconheçam de vez o nosso trabalho ou então tratem de provar que o que fazemos não valeu nem vale a pena…


Sara Oliveira


sábado, 26 de junho de 2010

Receita para abraço







Gustav Klimt,
O abraço












antes que nos abrace e abrase um daqueles nós
de víboras jorrando em lume das nuvens
antes que se fechem sobre nós os tentáculos de um tsunámi
antes que se abatam sobre o coração os acúleos dos escorpiões
antes que nos torture e triture o doce amplexo do nada
abracemo-nos nós (vê as horas - deram-nos escasso o tempo
e um abraço a sério pode durar uma eternidade)

abrir muito os braços deixá-los crescer e crescer
tê-los aptos disponíveis para abarcar
uma floresta impossível de sequóias
ou desenhar a órbita de um cometa errante
fechar os olhos invertê-los voltá-los para dentro
levá-los aos recessos mais íntimos da alma
esperar assim outra eternidade sem saber
o que de lá vem se a assombração do mundo
se uma hecatombe se a criação de uma nova galáxia
esperar como quem sabe que vem chegando
num carro de aromas a primavera
esperar que se desdobrem um a um lentamente
todos os pampilhos das pradarias

depois finalmente cerrar os braços
uns sobre os outros com o vagar das corolas fechando-se
aconchegar os peitos apertá-los tanto até esmagar
os maquinismos pulsantes que os habitam
esperar ainda que se escoem todos os sons interiores
e deixar-se morrer como um eco extraviado
ou um cavalo exausto perdido na noite
enquanto as íntimas salas se inundam de silêncio

quando enfim ressuscitarmos desta ansiada morte
demorar mais uma eternidade
para recuperar os próprios braços

(por isso são tão raros os abraços verdadeiros)

Anthero Monteiro
(inédito)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

SETE VEZES SETE NUVENS: Mais fotos




Mais fotos da sessão de apresentação do livro SETE VEZES SETE NUVENS, de Anthero Monteiro, no último sábado, na Feira do Livro do Porto, desta vez com mais aspectos do público presente.

(Fotos de Eugénia Gonçalves, com um imenso obrigado à Anaas)






domingo, 20 de junho de 2010

SETE VEZES SETE NUVENS: Fotos do lançamento




Aí está o novo (e nono) livro de poesia - SETE VEZES SETE NUVENS - de Anthero Monteiro, apresentado ontem na Feira do Livro do Porto pelo jornalista SÉRGIO ALMEIDA.

A sessão foi ilustrada ainda com leituras de alguns dos poemas do livro, não apenas pelo autor, mas também pelos "diseurs" LUÍS CARVALHO e ANA ALMEIDA SANTOS.

Seguiram-se os autógrafos e algumas longas conversas do autor com os amigos presentes.

(Fotos por Fátima Lopes)


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Novo livro de poesia de Anthero Monteiro: SETE VEZES SETE NUVENS


É amanhã, sábado, 19 de Junho, a data de lançamento do novo livro de Anthero Monteiro, o seu nono livro de poesia:

SETE VEZES SETE NUVENS


O evento tem lugar na Feira do Livro do Porto, na Praça Azul, às 16 horas, e a apresentação estará a cargo do jornalista e escritor SÉRGIO ALMEIDA.

Inclui ainda a leitura de alguns dos poemas do livro,
ao cuidado do autor e dos seus amigos "dizedores" Luís Carvalho e Ana Almeida Santos.

De acordo com o prefácio, há a previsão de chuva para o acto do lançamento, ainda que, como todas as previsões, seja falível. Mas é certo que choverá no mínimo alguma poesia. Veremos o que fazem todas aquelas nuvens...


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Domingo




















Porto, domingo. Morre de cansada
a tarde ruiva de olhos azulinos,
isto apesar de não ter feito nada
pois que guardou os ócios citadinos.

Foi para a Foz, levou a pequenada
para os folguedos próprios dos meninos,
e a certa altura estava tão corada
como quem bebe largos vinhos finos.

Agora esvai-se e mancha de vermelho
os vidros altos deste Porto velho
que muito preza as tardes domingueiras.

É que amanhã começa uma semana
de luta imensa e inveja e luta insana,
uma infernal semana de canseiras.

Manuel de Oliveira Guerra, Caminho Longo,
Porto, Papiro Editora, 2006


Nasceu em Oliveira de Azeméis, em 1905.
Morreu no Porto em 1964.
Era filho de de um operário vidreiro da Marinha Grande, que viria a tornar-se industrial do mesmo ramo em Oliveira de Azeméis. Manuel estava destinado a colaborar com o pai, mas uma grave doença óssea obrigou-o a ficar internado, aos onze anos, no Sanatório Marítimo do Norte, em Francelos, onde permaneceu outros 11 anos, aí fazendo os seus estudos liceais com o apoio de uma professora.
Foi autor de uma colectânea de poemas intitulada Padre... Nosso, que escreveu em pouco mais de um mês e se esgotaria em quinze dias. A segunda edição e a publicação de um novo livro, agora intitulado Ave Maria, na esteira do primeiro, foram sendo adiadas por questões de ordem religiosa, política e familiar. Casado, decidiu viajar sozinho para o Brasil, onde permaneceu durante algum tempo. Quando regressou, verificou que tinha sido deserdado e que se esboroara tudo quanto deixara, vendo-se obrigado a estabelecer-se no Porto com uma loja de vidros. Em 1960, reedita o seu primeiro livro e começa a edição dos inéditos., que incluem poesia e contos. Militante da aproximação luso-galaica, foi director da revista Céltica, publicando 4 números.

Para saber mais sobre Manuel Oliveira Guerra, ler:

Anthero Monteiro, «Os Sonetos Anticlericais de Oliveira Guerra (No Centenário do seu Nascimento)» in Luís Machado de Abreu (coordenação), Incidências Anticlericais, Centro de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro, 2006

segunda-feira, 1 de março de 2010

Anthero Monteiro na WikiLusa (Edgar Carneiro também)


Anthero Monteiro acaba de dar entrada na WikiLusa, a enciclopédia de Portugal de conteúdo livre.

Aí tem um resumo biográfico, a indicação das suas principais obras e de algumas das antologias em que figuram textos seus.

Anthero Monteiro, a quem foi dada a possibilidade de verificação prévia, declara que é perfeitamente confiável o conteúdo da entrada com o seu nome, ali ao lado de milhares de outros de "pessoas como tu".

Ali consta também, por exemplo, o nome de Edgar Carneiro, poeta e particular amigo nascido em Chaves e a residir há muitos anos em Espinho, com quem muitas vezes Anthero se sentou nas esplanadas a ver o mar e a conversar (e a aprender)...

A vida é isso mesmo: caminhar, talvez à deriva, errando também, mas aprendendo sempre. "Errar" significa "ir caminhando", pressupondo-se essa intrínseca aprendizagem.

Vá até à WikiLusa, encontre-o e, se não gostar, volte para trás, ou caminhe para o lado, onde encontrará outra gente que talvez valha mais a pena (isto diz ele, Anthero Monteiro).

http://wikilusa.com/wiki/Anthero_Monteiro

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Após a «morte de Deus» por António Rego Chaves

Manuel Laranjeira (1877-1912) viveu obcecado pelo suicídio: Soares dos Reis, Júlio César Machado, Camilo, Antero de Quental, Trindade Coelho e Mouzinho de Albuquerque foram alguns dos portugueses ilustres que, entre 1889 e 1908, puseram termo à existência. O seu amigo Miguel de Unamuno, a quem chamara a atenção para este horror, escreveria em Novembro de 1908 um artigo que intitulou «Um povo suicida», mais tarde incluído em «Por Tierras de Portugal y de Espanha». Aí afirmava, sem abrir espaço para qualquer dúvida: «Portugal é um povo triste, e é-o até quando sorri. A sua literatura, incluindo a sua literatura cómica e jocosa, é uma literatura triste.

Portugal é um povo de suicidas, talvez um povo suicida. A vida não tem para ele um sentido transcendente. Querem viver, talvez, sim, mas para quê? Vale mais não viver.» Em carta transcrita por Unamuno no mesmo artigo, Laranjeira opinava: «Neste malfadado país, tudo o que é nobre se suicida; tudo o que é canalha triunfa.» E o autor de «O Sentimento Trágico da Vida» antecipava: «Dentro de alguns dias, a 1 de Dezembro, celebrarão as festas da restauração da sua nacionalidade, ter sacudido a soberania dos Filipes de Espanha. No dia seguinte voltarão a falar de bancarrota e de intervenção estrangeira. Pobre Portugal!».

Já depois do suicídio do nosso grande diarista, o filósofo bilbainho reconheceria ter sido ele quem lhe revelara «a alma trágica de Portugal, não direi de todo o Portugal, mas do mais profundo, do maior». De facto, Manuel Laranjeira sintetizara assim o nó do problema do país que o vira nascer: «O mal da sociedade portuguesa é apenas este – a desagregação da personalidade colectiva, o sentimento de interesse nacional abafado na confusão caótica dos sentimentos de interesse individual.» Passados cem anos, haverá sem dúvida quem pense ter muito boas razões para considerar perene este severo mas não infundamentado diagnóstico…

Em lúcida síntese, escreveu Urbano Tavares Rodrigues sobre Manuel Laranjeira: «Viveu uma existência intensamente interior, com explosões de revolta e desespero, de que a sua poesia e a sua correspondência são o melancólico reflexo. Roído pela sífilis e, como médico que era, inteiramente consciente do seu estado, a doença lhe avolumou o tédio de viver sem Deus e sem razão alguma, predispondo-o para uma solitária experiência de dor universal.» Na verdade, ao identificar-se com um «D. Quixote de braços cruzados», dizia sentir-se «cada vez mais enojado dos homens, do mundo e da vida». Escrevia: «Sinto uma grande fadiga moral, um piedoso cansaço, de piedade feita de desprezo, por tudo, pelas coisas e sobretudo pelos homens. Eu não sinto o vazio universal de Antero: sinto uma coisa pior – sinto a torpeza universal.»

Ousou Anthero Monteiro interpretar o significado da vida e da obra desta trágica personagem e, diga-se desde já, fê-lo com mão de mestre, num ensaio inteligente e bem documentado que, ao contrário do que é uso em Portugal, não abdica da indicação de uma muito actualizada bibliografia e do indispensável índice onomástico. Fazendo sua a célebre sentença de Unamuno sobre Laranjeira – «Matou-o a vida. E, ao matar-se, deu vida à morte» – o autor, depois de caracterizar os misticismos cristão, hindu, budista, islâmico e judaico, defende a tese segundo a qual o seu biografado professou, não um misticismo de carácter religioso, mas um misticismo sem Deus, laico, terminologia esta que, aliás, já o próprio utilizara na sua polémica tese de licenciatura «A Doença da Santidade». Depois de um capítulo sobre a recepção de Manuel Laranjeira, onde infelizmente também avultam o azedume e a mesquinhez de algumas vozes mordidas pelas nossas ancestrais maleitas da inveja e da intolerância, Anthero Monteiro analisa com brilho as «dialécticas de vida» do homem, do cidadão e do escritor – convivente e solitário, solidário e egoísta, interveniente e abúlico, pensador e «sentidor», ateísta e «crente».

Detenhamo-nos nesta última, indispensável à compreensão do título do livro. «Morto» mas mal «sepultado» o mítico Deus da sua infância, escreveria Laranjeira: «A minha ‘cracia’, o meu ‘ismo’, seria aquele em que coubessem, como na nave de uma catedral infinita, após um acordo afectuoso, final, todos esses seres que a engrenagem social fez inimigos irredutíveis: reis, imperadores, plebeus, vadios, criminosos, fartos, famintos, vencidos, vencedores, esmagados, todos, os homens todos, a Humanidade inteira – a vida inteira.» Comenta Anthero Monteiro: «O ateu Laranjeira, afinal, é um crente: acredita na possibilidade de ‘realização dum ideal de felicidade universal’. E é também um apóstolo: pretende agir de maneira que ‘a máxima das nossas acções se possa converter em lei universal’. É, pois, também um místico com a mesma tendência à ‘universalização da vontade’ que atribui a todos os místicos no seu ensaio sobre ‘A Doença da Santidade’.»

Mística da vida, mística da conhecimento, mística da arte, em todas o autor do «Diário Íntimo» parece ter apostado, mas sem êxito. Em Dezembro de 1908, confessava ao seu atento interlocutor Miguel de Unamuno: «A última verdade será a que nos desmanchar a última ilusão – a ilusão da imortalidade: no dia em que o homem tenha de renunciar à sua loucura de absoluto… – já se sabe, D. Quijote também ficou ‘cuerdo’ (cordato) … para morrer.

Para o suicídio! – não será afinal este o sentido da vida, da vida humana, pelo menos?» Conclui Anthero Monteiro: «Roído pelo bicho da sede, demandou a Verdade, sempre escorregadia, a Justiça, sempre defraudada, o Desconhecido, sempre incognoscível, o reunir todos os seres, toda a Humanidade, ‘numa catedral infinita’. Acreditou ainda na Perfeição, ou, pelo menos, empenhou-se sempre na sua própria evolução perfectiva. Nesse processo em que alguns se empenharam para melhorar o mundo, torná-lo pelo menos mais habitável, construir um amanhã diferente que tarda em chegar, Manuel Laranjeira fez bem a sua parte.»

Anthero Monteiro, O Misticismo Laico de Manuel Laranjeira, Roma Editora, 2006,
225 páginas
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Recensão do livro acima referido de Anthero Monteiro
in
http://www.scribd.com/doc/26713706/Manuel-Laranjeira-Anthero-Monteiro


Manuel Laranjeira, poeta da Feira e de Espinho, suicidou-se nesta última cidade, na sua casa da Rua 19, no dia 22 de Fevereiro de 1912, portanto, há 98 anos. Vêm aí as comemorações do centenário da sua morte. A Biblioteca Municipal de Espinho e a Escola Secundária de que é patrono estão já a prepará-las.

António Rego Chaves é licenciado em Filosofia. Foi jornalista e repórter internacional, de 1968 a 2003, no Diário Popular e no Diário de Notícias. Colaborou, antes do 25 de Abril, na Seara Nova e em O Comércio do Funchal. Na extinta página de Livros, do DN, e no seu suplemento DNA, assinou grande número de recensões e ensaios.
Publicou "Vinte e Quatro Diálogos Bíblicos" e "Encontros em Florença". Juntamente com Ana Marques Gastão e Armando Silva Carvalho, é autor de "Três Vezes Deus" (Assírio & Alvim).

(in www.wook.pt/authors)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

"Catorze Escritores do Norte" - um livro colectivo













Trata-se de uma iniciativa do meu amigo Orlando da Silva, que coordenou o projecto e desenhou com grande perícia os retratos dos escritores contemplados, a saber:

Camilo Castelo Branco
Júlio Dinis
Guilherme Braga
Eça de Queiroz
Guerra Junqueiro
António Nobre
Manuel Laranjeira
Teixeira de Pascoaes
Aquilino Ribeiro
Ferreira de Castro
João de Araújo Correia
José Régio
Miguel Torga
Sophia de Mello Breyner

Para além do próprio Orlando da Silva, publicista, e de um texto sobre Camilo, da autoria de Manuel Laranjeira, médico, escritor, poeta e dramaturgo, o projecto teve ainda a colaboração dos seguintes autores:

Abílio F. da Silva, médico, ensaísta e dramaturgo
Fonseca Gaspar, escritor, poeta e ensaísta
Henrique Manuel S. Pereira,, professor, escritor e ensaísta
Humberto Rocha, escritor e poeta
António Cândido Franco, romancista, poeta e ensaísta
Manuel Lima Bastos, advogado e devoto aquiliniano
Paulo Samuel, editor e ensaísta
Carlos Maduro, professor e ensaísta
Manuel Poppe, diplomata, novelista, dramaturgo e ensaísta
Celestino Portela, advogado e director da revista Villa da Feira
Anthero Monteiro, professor, poeta e ensaísta.

O apresentador, o Professor Daniel Serrão, é, como se sabe, uma distinta personalidade ligada à Medicina, sobretudo à Anatomia Patológica e à Bioética, especialista em Ética da Vida e conselheiro do Papa.

Esta cerimónia será antecedida pela apresentação de outra obra, no mesmo local: trata-se de A Música de Junqueiro - livro e 2 cds, coordenada pelo Professor Henrique Manuel S. Pereira, um dos autores de Catorze Escritores do Norte.

Uma tarde em cheio, portanto, no próximo sábado, no Clube Literário do Porto, ali em frente ao estacionamento da Alfândega.

Vai valer a pena lá estar.