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domingo, 15 de março de 2009

Tristesse de la lune



















Imagem in

http://chezstyve.centerblog.net/rub-Mes-poemes.html

Ce soir, la lune rêve avec plus de paresse;
Ainsi qu'une beauté, sur de nombreux coussins,
Qui d'une main distraite et légère caresse
Avant de s'endormir le contour de ses seins,

Sur le dos satiné des molles avalanches,
Mourante, elle se livre aux longues pâmoisons,
Et promène ses yeux sur les visions blanches
Qui montent dans l'azur comme des floraisons.

Quand parfois sur ce globe, en sa langueur oisive,
Elle laisse filer une larme furtive,
Un poète pieux, ennemi du sommeil,

Dans le creux de sa main prend cette larme pâle,
Aux reflets irisés comme un fragment d'opale,
Et la met dans son coeur loin des yeux du soleil.

Charles Baudelaire, Les Fleurs du Mal,
Paris, Le Livre de Poche, 1972

domingo, 28 de setembro de 2008

Embriaga-te


É preciso estares sempre bêbedo: é a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do tempo
que te despedaça os ombros e te verga para o chão,
é preciso embriagares-te sem cessar.
Mas com quê? Com vinho, com poesia, com mulheres ou com a virtude,
ao teu gosto, mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus dum palácio,
sobre as verdes ervas duma vala,
acordares com a embriaguez já atenuada ou desaparecida,
pergunta ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio,
a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que gira,
a tudo o que canta, a tudo o que fala,
pergunta que horas são.
E o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio,
responder-te-ão: São horas de te embriagares;
para não seres o escravo martirizado do tempo,
embriaga-te, embriaga-te sem cessar
com vinho, com poesia ou com a virtude,
ao teu gosto.
Sê a vida, sente-te vivo, sê tu mesmo.

Charles Baudelaire
Tradução de Anthero Monteiro do texto em francês inserto no blogue http://www.pascalobispoblog.com/