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quinta-feira, 11 de junho de 2009

Homenagem a Daniel Faria - Fotos


























































































































Terça-feira última, dia 9/6, comemorou-se, por iniciativa do Clube Literário do Porto, o 10.º aniversário do desaparecimento do poeta Daniel Faria, considerado um poeta maior e, sobretudo, o maior poeta místico português do século XX.

O evento foi organizado pelas Quartas Mal-Ditas, sob a coordenação de Anthero Monteiro, tendo os elementos desta tertúlia feito leituras de poemas do homenageado, subordinados ao tema "URGÊNCIA DE OUTRO SÍTIO".

A sessão decorreu num carro eléctrico do Museu do Porto, em frente do Clube Literário, para simbolizar a breve passagem do poeta pela vida, que lhe concedeu apenas 28 anos.

Estiveram presentes para dar testemunho sobre Daniel Faria, os seguintes convidados: os poetas Nuno Higino, Joana Serrado e Paulo Renato, cujas intervenções mereceram agrado geral.

Também o guarda-freio foi solicitado, como se vê numa das fotos, a ler um poema do poeta natural de Baltar.

A iniciativa teve caras bonitas a assistir e muito outro público, que, no final, se viu bafejado com uma viagem gratuita no eléctrico e com um chá bem quentinho no Clube Literário, em noite chuvosa.

Veja mais fotos no blogue do Clube Literário do Porto.

Leia também a intervenção lida pelo poeta Paulo Renato, aqui.

sábado, 6 de junho de 2009

Daniel Faria. "Urgência de Outro Sítio"

Desta vez as Quartas-Mal Ditas são à terça, expressamente para comemorarmos o 10.º aniversário do desaparecimento de um grande poeta:
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DANIEL FARIA.
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Tinha 28 anos quando mudou para o outro lado aquele que premonitoriamente escrevera:
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"Sou urgência de outro sítio."
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Dia 9/6, às 22 horas, num carro eléctrico em frente ao Clube Literário do Porto, à Rua Nova da Alfândega.
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Estarão presentes vários poetas e intelectuais que darão o seu testemunho sobre o poeta da "Explicação das Árvores e de Outros Animais":
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Nuno Higino, Paulo Renato, Joana Salgado, Henrique Manuel S. Pereira e outros.
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Leitura de poemas pelo colectivo das Quartas Mal-Ditas.
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Coordenação de Anthero Monteiro

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Pedra de Sísifo II










Relógio de sol

em Mourilhe -
Montalegre
(Foto A.M.)







Agora medirei o tempo
Pela vara erguida ao meio-dia
Pela areia a descer o coração
E o sono

Pela cinza no cabelo de Jacob
Pelas agulhas no colo de Penélope

Agora lavarei a minha face
Sem perturbar os círculos da água
Medirei o tempo pelo peso da pedra
De Sísifo, perto do cimo
E pelo musgo que dificulta
A firmeza dos seus pés

Partirei sozinho na viagem
Sem nenhuma pedra ou senda repetida
E no tempo repetido acharei uma saída
Uma manhã depois de uma manhã

Daniel Faria, Poesia,
V. N. Famalicão, Edições Quasi,2006, 2.ª ed.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O filho é o carrossel...

O filho é o carrossel à volta da mãe

O carrossel no coração da mãe

A luz dos carrosséis e a música

E leva a mãe no seu cavalo

O cavalo gira à volta viúvo



A mãe é a festa sempre em luto

Por isso aviva a luz como quem mergulha nela

E conhece o escuro como quem já só faísca

Na criança

E procura um brilho, o metal que não oxida



Eles são uma roleta em voltas sucessivas

O tambor de um revólver

O estoiro de uma bala repentina



A viuvez é um buraco no centro da cabeça

A família é um buraco absurdo sobre a casa

- uma gruta sem acesso -

Há um cadáver nos olhos do acaso

Cheira a pólvora como o instante que dispara

E está imóvel como um dia sem saída



O carrossel tem um cavalo que galopa

O menino tem rédeas e espera

A idade da despedida



Daniel Faria, Homens que São como Lugares mal Situados,
Porto, Fundação Manuel Leão, 1998

Consultar blogue oficial do poeta in http://www.danielfaria.org/daniel.swf
Foto in http://www.agencia.ecclesia.pt/ecclesiaout/snpcultura/impressao_digital_daniel_faria_2.html