Nesta praça apregoa-se a Poesia. Sobretudo a dos outros. Possivelmente alguma da que escrevo. Autores da minha terra, da minha pátria-língua-portuguesa, mas também da nossa Terra-mãe-comum. Nesta praça vendo o sonho de ser poeta, mas não passo talvez de um mero divulgador de Poesia.
- - mãe. por dentro da mãe o filho habita o mundo, por fora um sorriso alto, caminhos de sangue. e eu penso que o nada pode ser outra coisa. esse azul coagulado no trono de uma reticência etérea, que se debruça por onde o leite da linguagem enche um copo. pelas aves envio o silêncio em pedra. onde os lugares ardem no seu movimento impossível. construo a morte que espreita pela própria agonia e flores, as doces flores que se abrem até ao centro da estufa do seu umbigo. seu sonho delicado em círculo, mãe, consagrando a fala lírica que se funde em sílabas novas. sem direcções impressas. e eu penso que o nada pode ser outra coisa. e eu dei-te nadas no espírito de outra coisa.
Ah, deixem-se de abraços e de beijos, de grandes planos de frentes e traseiros! Não se lambam sob a luz cruenta dos projectores. Poupem-nos a essas cópulas tecnicolores. Na posição de «o missionário», denegrida, ainda se move muita gente, muita vida. ----
E se a Carole não gosta, gosta a Ana! E viva o sexual fim-de-semana! ---
A gratificação oral, que põe os olhos do homem iguais aos do carneiro mal morto, é barco balanceiro que encontra, no cinema, alguns escolhos, por isso não se pisam os canteiros ao entrar em tal horto. ---
E se a Carole não gosta, gosta a Ana! E viva o sexual fim-de-semana! ---
Das cruas sodomias pé ante pé a câmara se aproxima. Por ângulos interessantes, quase se espiritualizam os amantes. Bertolucci emprega a margarina no seu escabroso edificante. Porém, lambe de mais o filme, lambe de mais a cria, e é assim - clássico! - que já está na estante... ---
E se a Carole não gosta, gosta a Ana! E viva o sexual fim-de-semana! ---
Mais corajoso - e feio - o Pasolini serve-se do amor com truculência, verve e poucas ilusões. Nele, a fornicação é quase sempre assalto a privilégios. Talvez por isso não mandem os colégios ver as suas sessões... ---
E se a Carole não gosta, gosta a Ana! E viva o sexual fim-de-semana! ---
De modo que a câmara aguenta mais depressa a velatura que a franqueza. Para que Eros durma em nossa casa É preciso saber abrir-lhe a cama E pôr-lhe a mesa... ---
E se a Carole não gosta, gosta a Ana! E viva o sexual fim-de-semana, eroturismo à portuguesa! ---
Este é um blogue temático, visando, sobretudo, a divulgação da Poesia, dos Poetas e dos eventos relacionados, a promoção da leitura, dos livros e dos autores de qualidade. O autor considera, pela sua formação intelectual, estar a prestar a todos um serviço e declara não perseguir quaisquer objectivos económicos em seu próprio proveito nem pretender lesar autores, editores ou livreiros. A transcrição de textos para esta Praça respeitará rigorosamente os originais, dando-se, sempre que possível, a indicação detalhada da sua proveniência. As ilustrações serão, de preferência, do autor, indicando-se também a sua proveniência, quando assim não acontecer.
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Autor de vários livros de poesia.
Uma vida a divulgar a poesia e os poetas.
Coordenador de vários eventos literários: Quartas Mal-Ditas (Clube Literário do Porto), Onda Poética (Espinho), Quarto Crescente (S. Paio de Oleiros).
Participou em muitos outros, como nas Noites do Pinguim, e colabora, há cerca de 10 anos, nas Quartas de Poesia do Púcaro's Bar, também no Porto.
Poesia partout, everywhere. Sempre.