Amanhã, quinta-feira, 14/4, mais uma sessão da Onda Poética na Junta de Freguesia de Espinho, Rua 23. Tema Livre. Presença do Grupo de Baladas Nostalgia. Vem fazer-nos companhia. Divulga, por favor.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
ABRIL POEMAS MIL na Onda Poética
Amanhã, quinta-feira, 14/4, mais uma sessão da Onda Poética na Junta de Freguesia de Espinho, Rua 23. Tema Livre. Presença do Grupo de Baladas Nostalgia. Vem fazer-nos companhia. Divulga, por favor.
domingo, 3 de abril de 2011
Quartas Mal´Ditas de Abril: Tema Livre
Quarta-feira, dia 6/4, tema livre na sessão das Quartas Mal'Ditas, no Clube Literário do Porto, às 22 horas. - Momento para espontâneos interessados em participar. -- Leituras por: Amílcar Mendes / Ana Almeida Santos / Anthero Monteiro / António Pinheiro / Cláudia Pinho / Diana Devezas / Luís Carvalho / Mário Vale Lima / Rafael Tormenta -- - Voz e guitarra acústica: Carlos Andrade - Coordenação: Anthero Monteiro - Divulgue / Compareça / Participe
sábado, 2 de abril de 2011
Trem de ferro
Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge Maria que foi isso maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
(trem de ferro, trem de ferro)
Oô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
Da ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!
Oô...
(café com pão é muito bom)
Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matar minha sede
Oô...
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...
Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...
(trem de ferro, trem de ferro)
Manuel Bandeira
Foto in
www.ofunil.blogspot.com
sexta-feira, 1 de abril de 2011
A partida
Ponte ferroviária do Choupal em Coimbra. In http://www.skyscrapercity.com/ - - - No silêncio da noite repousada
O silvo do comboio dá sinal
Da partida por tantos desejada.
...............................
Vou passando na ponte do Choupal
................................
E afinal os que vão são bem ditosos:
Outras terras e outras impressões
Enamoram seus olhos descuidosos
Com o brilho de novas ilusões.
-
Triste, sim, de quem fica, num momento
Quantos sonhos nos fogem, venturosos!
Cada hora que passa é um tormento...
Domitília de Carvalho, Versos,
Coimbra, F. França Amado Editor, 1909
N. em 1871 em Travanca de Santa Maria da Feira. Foi a primeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbra, onde se formou com altas classificações em Filosofia, Matemática e Medicina. Exerceu clínica em Lisboa e dirigiu o primeiro liceu feminino, D. Maria Pia. Foi deputada à Assembleia Nacional. Morreu em 1966.Publicou vários livros, entre os quais, em poesia, Versos, Coimbra Terra de Amores e Para o Alto
quarta-feira, 30 de março de 2011
Outra viagem
Já nos campos de Jaén
amanhece. O comboio,
nos seus luzentes carris,
vai tragando matagais,
alcacéis,
terraplenos, pedregais,
olivedos, casarios,
pradarias e cardais,
montes e vales sombrios.
No postigo embaciado,
passa esta dobadoira
do campo de primavera.
A luz do tecto cintila
do meu vagão de terceira.
Entre grandes nuvens brancas,
ouro e trigo;
E a névoa da manhã
a fugir pelos barrancos.
Este insone sonho meu!
Este frio
de acordar sem ter dormido!
Ressoante,
arquejante,
o comboio. E o campo voa.
Na minha frente, um senhor
sob a manta adormecido;
e um frade; e um caçador
- o cão aos pés estendido.
Contemplo a minha bagagem,
meu velho saco de couro;
e recordo outra viagem
até às terras do Douro.
Outra viagem: aquela
pela terra de Castela
- pinheiros na madrugada,
entre Almazán e Quintana!
Ai, alegria
de viajar em companhia!
Ai, união,
que a morte rompeu um dia!
Ah, mão fria
que apertas meu coração!
Anda, comboio, caminha,
fumegando,
carregando
teu batalhão de vagões,
fatigando
bagagens e corações!
Solidão,
sequidão.
E tão pobre vou ficando
que já nem ao certo estou
comigo, nem sei se vou
só comigo viajando.
António Machado, Campos de Castilla, 1912 / Trad. David Mourão-Ferreira
Espanha, 1875-1939
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POESIA SOBRE CARRIS
segunda-feira, 28 de março de 2011
Canção
Dizem que esta cidade tem dez milhões de almas: Umas vivem em mansões, outras em tugúrios;
Não há contudo lugar para nós, meu amor, não há contudo lugar para nós.
- Outrora tivemos uma pátria e pensávamos que isso era justo.
Olha o mapa, e ali a encontrarás.
Não mais podemos lá voltar, meu amor, não mais podemos lá voltar.
- O cônsul deu um murro na mesa e disse:
«Se não têm passaporte, estão oficialmente mortos.»
Mas nós ainda estamos vivos, meu amor, mas nós ainda estamos vivos.
- Aí em baixo, no adro da igreja, ergue-se um velho teixo:
Em cada primavera floresce de novo;
Velhos passaportes não podem fazê-lo, meu amor, velhos passaportes não podem fazê-lo.
- Fui a uma repartição; ofereceram-me uma cadeira;
Disseram-me polidamente para voltar no próximo ano;
Mas onde iremos hoje, meu amor, mas onde iremos hoje?
- Fomos a um comício público; o orador levantou-se e disse:
«Se os deixarmos aqui ficar, hão-de roubar-nos o pão de cada dia»:
Estava a falar de ti e de mim, meu amor, estava a falar de ti e de mim.
- Ouvimos um clamor que nem trovão retumbando no céu;
Era Hitler berrando através da Europa:«Eles têm de morrer!»
Oh, nós estávamos no seu pensamento, meu amor, nós estávamos no seu pensamento.
- Vimos um cachorro, de jaqueta apertada com um alfinete;
Vimos uma porta aberta e um gato a entrar;
Mas não eram judeus alemães, meu amor, não eram judeus alemães.
- Descemos ao porto e parámos no cais;
Vimos os peixes nadando como se fossem livres;
Apenas a dez pés de distância, meu amor, apenas a dez pés de distância.
- Passeámos por um bosque, havia pássaros nas árvores;
Não tinham políticos e cantavam despreocupados;
Não eram de raça humana, meu amor, não eram de raça humana.
- Sonhámos com um edifício de mil andares,
Com mil portas e com mil janelas;
Nenhuma delas era nossa, meu amor, nenhuma delas era nossa.
- Corremos à estação para apanhar o expresso;
Pedimos dois bilhetes para a Felicidade;
Mas todas as carruagens estavam cheias, meu amor, mas todas as carruagens estavam cheias.
- Quedámo-nos numa grande planura com a neve a cair;
Dez mil soldados marchavam para cá e para lá,
À tua e à minha procura, meu amor, à tua e à minha procura.
- W. H. Auden, Ten Songs /tradução de David Mourão-Ferreira
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W. H. Auden
domingo, 27 de março de 2011
Ode
- - - - - - - Da capa do livro Harmonika-Zug de Dominique de Roux da Gallimard Empresta-me o teu grande ruído, o teu doce andamento,
O teu nocturno deslizar através da Europa iluminada,
Ó comboio de luxo! e a música tão angustiante
Que sussurra ao longo de teus corredores de couro dourado,
Enquanto por detrás das portas lacadas, com loquetes de cobre pesado,
Dormem os milionários.
Cantarolando percorro os teus corredores
E sigo a tua corrida até Viena e Budapeste,
Misturando a minha voz às tuas cem mil vozes,
Ó Harmonika-Zug!
- Senti pela primeira vez toda a doçura de viver,
Numa cabine do Norte-Expresso, entre Wirballen e Pskow.
Deslizava-se através das pradarias onde os pastores,
Ao pé de grupos de grandes árvores semelhantes a colinas,
Estavam vestidos de sujas e cruas peles de carneiro…
(Oito horas da manhã no outono, e a belíssima cantora
De olhos violeta cantava na cabine ao lado.)
E vós, grandes espaços através dos quais vi passar a Sibéria e os montes do Sâmnio,
A áspera Castela sem flores, e o mar de Mármara sob uma chuva tépida!
- Emprestai-me, ó Oriente-Espresso, Sud-Brenner-Bahn, emprestai-me
Os vossos milagrosos ruídos surdos e
As vossas vibrantes vozes de corda de viola;
Emprestai-me a respiração ligeira e fácil
Das altas e delgadas locomotivas, com movimentos
Tão desembaraçados, as locomotivas dos rápidos
Precedendo sem esforço quatro vagões amarelos com letras de ouro
Nas solidões montanhosas da Sérvia,
E, mais longe, através da Bulgária cheia de rosas…
- Ah! é preciso que esses ruídos e esse movimento
Entrem nos meus poemas e digam
Para mim a minha vida indizível, minha vida
De criança que não quer saber nada, a não ser
Continuar eternamente à espera de coisas vagas.
- Valery Larbaud (1881-1957) Trad. David Mourão-Ferreira
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Valery Larbaud
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