Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia infantil. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia infantil. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Beatriz
Beatriz só sabe dizer
pai
mãe
pão
não
e tim
em vez de sim
e em vez de dizer
Beatriz
diz apenas
tiz
(só não acerta
a última sílaba
por um triz)
ainda só anda pelos monossílabos
não diz copo
nem faca
nem boca
nem olhos
e pra dizer nariz
fica-se pelo niz
os dissílabos só se forem partidos
aos bocados
e os polissílabos ainda vêm longe
de tão complicados
o pai
a mãe
o tio
impacientam-se
eles queriam que ela
que ainda não sabe dizer
desobediente
nem adolescente
nem afluente
nem presente
nem dente
nem pente
nem gente
aparecesse ali a dizer de repente
anticonstitucionalissimamente
Anthero Monteiro
Etiquetas:
Anthero Monteiro,
NOMES,
Poemas de Anthero Monteiro,
Poesia infantil
sexta-feira, 24 de abril de 2015
João dos Biscoitos
Fui à lata dos biscoitos
tirei um
p’ra não ficar em jejum
não, tirei dois
pra comer outro depois
ou seja, tirei três
dois pra mim, um para a Inês
quer dizer, tirei foi quatro
mais um pra calar o gato
ou melhor, tirei os cinco
a pensar no ornitorrinco
perdão, tirei foi seis
mais um pró dono dos carrocéis
não, ao todo tirei sete
mais um para a Bernardete
desculpem lá, tirei oito
é mais biscoito menos biscoito
tirei um
p’ra não ficar em jejum
não, tirei dois
pra comer outro depois
ou seja, tirei três
dois pra mim, um para a Inês
quer dizer, tirei foi quatro
mais um pra calar o gato
ou melhor, tirei os cinco
a pensar no ornitorrinco
perdão, tirei foi seis
mais um pró dono dos carrocéis
não, ao todo tirei sete
mais um para a Bernardete
desculpem lá, tirei oito
é mais biscoito menos biscoito
Por isso tirei o nono
às escondidas do dono
que é o senhor meu pai
que esconde a lata
sempre que sai
às escondidas do dono
que é o senhor meu pai
que esconde a lata
sempre que sai
E prà conta ficar certa
tirei o número dez
pra dar de oferta
ao meu amigo Moisés
tirei o número dez
pra dar de oferta
ao meu amigo Moisés
E não tirei mais nenhum
como queria
porque a lata
ficou vazia.
como queria
porque a lata
ficou vazia.
Anthero Monteiro
(inédito)
Etiquetas:
Anthero Monteiro,
Poemas de Anthero Monteiro,
Poesia infantil
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
O riso de Felismundo
Quero rir-me mas em vão
que vida
assim não dá riso
pois já lá
diz o rifão
que quem se
ri sem razão
é porque
tem pouco siso.
Assim meu
riso é só um:
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
Meio doido
da cabeça
não me
responsabilizo
se me sair
este riso
que talvez
choro pareça
e não tem
jeito nenhum:
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
Ser feliz eu bem queria
e ainda que tenha fome
sou-o ao menos de nome
e finjo a enorme alegria
dos foguetes pum pum pum:
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
Mas é com
grande alvoroço
que rio mais
do que um momo.
Até parece
que como
riso ao
jantar e ao almoço
e assim não
fico em jejum:
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
Rir assim até me custa.
Pareço dono do mundo
mas sei bem que lá no fundo
pra muitos a vida é injusta.
Rir assim não é comum:
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
Mas não
quero entristecer
tudo quanto
me rodeia.
Por isso
tenho esta ideia
de rir sem
me apetecer
e sem ter
motivo algum:
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
ferrum fum
fum
Anthero Monteiro (inédito)
Etiquetas:
Anthero Monteiro,
Poemas de Anthero Monteiro,
Poesia infantil
domingo, 2 de fevereiro de 2014
A Lia que lia lia
Capa do livro
em que se insere
o poema seguinte
que lhe serviu
de título
Minha boa amiga Lia
muito lia muito
lia
Lia de noite e de dia
lia lia lia lia
Lia tudo o que queria
Zoologia Geologia
lia até Psicologia
livros de Filosofia
mapas de Geografia
temas de Pedagogia
problemas de Economia
tratados de Biologia
volumes de Biografia
coisas da Tecnologia
e tanta bibliografia
que já ninguém avalia
quantas páginas a Lia
tinha lido ao fim do dia
Minha boa amiga Lia
muito lia muito lia
lia de noite e de dia
lia lia lia lia
De manhãzinha ela lia
só parava ao meio-dia
sopa de letras comia
mas quase nem engolia
À tarde nem se mexia
lia tudo o que podia
lia tudo por mania
tudo o que na estante havia
na biblioteca existia
ou então na livraria
À noite pouco dormia
lia à luz da almotolia
e sempre que adormecia
sonhava que lia lia
lia relia treslia
sempre sem uma arrelia
sempre a sorrir de alegria
sem sentir monotonia
ou sofrer de miopia
ou de qualquer alergia
Minha boa amiga Lia
muito lia muito lia
lia de noite e de dia
lia lia lia lia
A mãe lavava e cosia
espanejava e varria
e ela lia lia lia
O pai gastava a maquia
ia ao casino e perdia
e ela lia lia lia
A irmã pouco fazia
pois tinha paralisia
e ela lia lia lia
O irmão era só folia
só folguedo e romaria
e ela lia lia lia
A avó coitada dormia
esperando a morte fria
e ela lia lia lia
O avô que quase não via
em vão chamava pla Lia
e ela lia lia lia
O primo só televia
todos os canais que havia
e ela lia lia lia
E enquanto a prima Maria
ia prà Cova da Iria
ela lia lia lia
O tio era uma apatia
era uma vida vazia
e ela lia lia lia
Melhor do que ele
era a tia
mas morreu com anemia
e ela lia lia lia
E enquanto eu escrevia
esta longa poesia
a Lia toda crescia
em grande sabedoria
porque lia lia lia
lia lia lia lia
Ler como ela ninguém lia
ler como ela só a Lia
Anthero Monteiro
“A Lia Que Lia Lia”, 2.ª edição, Corpos Editora, Porto,
2010
Etiquetas:
Anthero Monteiro,
Poemas de Anthero Monteiro,
Poesia infantil
sexta-feira, 24 de maio de 2013
peixes peixes e mais peixes
Foto
A.M.
era um
salmão brincalhão
uma truta
muito arguta
uma
sardinha fresquinha
um carapau
muito mau
era um
sável muito afável
era um
robalo de estalo
era um
goraz bom rapaz
e uma
faneca careca
era um
ruibarbo com garbo
uma
pescada aprumada
um
tamboril muito vil
uma tainha
mesquinha
uma
garoupa sem roupa
um ruivaco
bem velhaco
uma cavala
de gala
um
bacalhau bem marau
uma azevia
vadia
uma
corvina traquina
um badejo
benfazejo
um
peixe-porco de borco
à frente
ia um achigã
e iam
todos em cardume
direitinhos
à sertã
que a
minha mãe pôs ao lume
Anthero
Monteiro
Etiquetas:
Anthero Monteiro,
Poemas de Anthero Monteiro,
Poesia infantil,
ZOO
terça-feira, 30 de abril de 2013
Do nada ao tudo
Alunos da Escola
da Bandeira
- V. N. Gaia
ouvem atentos
a leitura de
um poema de
Anthero Monteiro
o que se faz com o nada
que nada vale nadinha?
muda-se só uma letrinha
e do nada faz-se a fada
e da fada faz-se o fado
e do fado faz-se um dado
e que fazer com o dado?
com um pouco de cuidado
muda-se o dado pra dedo
muda-se o dedo pra medo
muda-se o medo pra mudo
e do mudo faz-se tudo
Anthero Monteiro
domingo, 7 de abril de 2013
Tão balalão
Foto
A.M.
Tão balalão
Morreu o Simão…
(Rima infantil)
Tão balalão
Morreu o Simão
Ficou impassível
deitado no chão
os olhos fechados
sem respiração
as mãos apertando
o seu coração
Tão balalão
Morreu o Simão
Morreu sem um padre
e sem confissão
sem sinal da cruz
sem uma oração
Morreu acreditem
que deu um esticão
Tão balalão
Morreu o Simão
Tão novo que ele era
tão flor em botão
Não foi o sarampo
não foi congestão
O certo é que agora
não tem solução
Tão balalão
Morreu o Simão
Já gritam os pais
já chora o irmão
Se os amigos sabem
o que não dirão?
Que notícia triste
p’ró tio João
Tão balalão
Morreu o Simão
Morreu sem aviso
e sem permissão
morreu sem motivo
morreu sem razão
e está sem acordo
não diz sim nem não
Tão balalão
Morreu o Simão
…Mas uma folhinha
que estava no chão
furou-lhe a camisa
fez-lhe comichão
Desatou a rir
mas que maganão
e todos nós vimos
a ressurreição
A morte é ainda
e só reinação
Que dobrem os sinos
no seu balalão
que não morreu não
o nosso Simão
Tão balalão
Quem seria então?
Perguntem ao padre
ou ao sacristão
Anthero Monteiro,
A Lia Que Lia Lia, Porto, Corpos Editora, 2010, 2º edição
Etiquetas:
Anthero Monteiro,
Poemas de Anthero Monteiro,
Poesia infantil
sábado, 6 de abril de 2013
O gafanhoto
Ilustração de
Maria Ferrand
É engraçado o gafanhoto
a jogar no totoloto
Tira o casaco e a gravata
por uns segundos balança
fecha os olhos e se lança
ao ar como um acrobata
Com umas patas assim
e mais a força das asas
paira por cima das casas
das casas do boletim
E depois cai catrapus
num quadradinho qualquer
Na casa que o acaso quer
é lá que faz uma cruz
E é sempre assim que este inseto
aos saltos e às cambalhotas
preenche o boletim de apostas
até que fique completo
E depois o seu fadário
é todo o fim de semana
sonhar deitado na cama
com vir a ser milionário
(Se ao menos o gafanhoto
registasse o totoloto!)
Anthero Monteiro
in José António Gomes (coord.), "Histórias e Poemas para Pessoas Pequenas",
Porto, Porto Editora. s.d.
Bicharada
in
pt.dreamstime.com
Disse-me há pouco o Tonito
que tem muita bicharada:
um hamster, um periquito,
mais uma égua apoldrada,
uns quatro ou cinco cavalos,
sete perus, um pavão,
quinze galinhas, dois galos,
oito cadelas e um cão,
nem me lembro quantos gatos,
um pintassilgo, um canário,
três cisnes, quarenta patos,
peixinhos num aquário,
três ou quatro tartarugas,
um zoo que é uma doidice...
Quanto a pulgas... quanto a pulgas
é que ele nada me disse!
Anthero Monteiro
Etiquetas:
Anthero Monteiro,
Poemas de Anthero Monteiro,
Poesia infantil
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Questão de cedilha
Um caçador perdeu a cedilha (...)
(Mário-Henrique Leiria,
Contos do Gin-Tonic)
Ia um caçador à caça
e saindo de um caminho
desembocou numa praça
sempre atrás de um coelhinho
Rodearam a praça toda
sem se saber muito bem
por andarem sempre à roda
quem ia a perseguir quem
E o pobre do caçador
foi quem caiu na armadilha
foi por trás o roedor
e zás roubou-lhe a cedilha
Ah! se se olhassem ao espelho
veriam ambos o horror
daquela figura fraca
o coelho agora é çoelho
e o triste do caçador
é cacador e anda à caca
Anthero Monteiro
Etiquetas:
Anthero Monteiro,
Poemas de Anthero Monteiro,
Poesia infantil
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Leonor

Descalça vai para a fonte
Leonor pela verdura
Vai formosa e não segura
Leva a bilha na cabeça
p'ra despistar e mais nada
Tem água canalizada
e nem é que lhe apeteça
Sua sede não é essa
É de amor - e não tem cura!
Vai formosa e não segura
Também leva o coração
aos pulos dentro do peito
coração insatisfeito
sequioso de emoção
A sua grande paixão
espera-a na fonte pura
Vai formosa e não segura
Com a pressa de chegar
esqueceu a sapatilha
quase ia quebrando a bilha
e torcendo o calcanhar
Lá se vai dessedentar
na água limpa da ternura
Vai formosa e não segura
A mãe chama-a da janela
o pai resmunga e ameaça
Nada há que se lhe faça
que já não toma cautela
Corre quase que atropela
com a graça a formosura
...E já ninguém a segura!
Anthero Monteiro, A Lia Que Lia Lia,
Espinho, Elefante Editores, 1999
Etiquetas:
Anthero Monteiro,
Poemas de Anthero Monteiro,
Poesia infantil
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Convite

Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.
Só que
bola, papagaio, pião
de tanto brincar
se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
Como a água do rio
que é água sempre nova.
Como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
José Paulo Paes (Brasil), Poemas para Brincar, Edições Ática, 1990
Etiquetas:
José Paulo Paes,
Maldita Poesia,
Poesia infantil
Subscrever:
Mensagens (Atom)






