quinta-feira, 28 de julho de 2011

Pede-se a uma criança: Desenha uma flor!


Foto A.M.






Pede-se a uma criança: Desenha uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém.

Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase não resistiu. Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais.

Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: Uma flor! As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor!

Contudo a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas, são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!

José de Almada Negreiros, Obras Completas 4/ Poesia,
Lisboa, Editorial Estampa, 1971

Novo tema: POESIA & PINTURA





António Joaquim, Porta,

Acrílico sobre tela, 2003









Muitos poetas escrevem sobre desenho, pintura, sobre obras de arte de todas as épocas, de todas as escolas e técnicas.
Esta poesia designa-se por poesia ecfrástica, ou seja, a representação verbal de representações visuais (do grego "ekphrasis", derivado de um verbo que significa "descrever com elegância"). Diz respeito também à escultura.


Mas é do desenho e da pintura que queremos falar por ora, colecionando textos de muitos autores sobre o assunto. Ocorrem-nos desde já alguns nomes que se dedicam à poesia ecfrástica: Al Berto, Nuno Júdice, Jorge de Sena, Vasco Graça Moura, João Miguel Fernnades Jorge, José Jorge Letria, entre muitos outros.


Então, comecemos:

POESIA & PINTURA

Os amantes















Marc Chagall,
Les amoureux
aux marguerites



Os amantes calam.
O amor é o silêncio mais fino,
o mais trémulo, o mais insuportável.
Os amantes buscam,
os amantes são os que abandonam,
são os que mudam, os que esquecem.

O coração diz-lhes que nunca hão-de encontrar,
não encontram, buscam.
Os amantes andam como loucos
porque estão sós, sós, sós,
entregando-se, dando-se a cada momento,
chorando porque não salvam o amor.

Preocupa-os o amor. Os amantes
vivem o dia-a-dia, não podem fazer mais, não sabem.
Estão sempre a ir,
sempre, para qualquer parte.
Esperam,
não esperam nada, mas esperam.

Sabem que nunca hão de encontrar.
O amor é o adiamento perpétuo,
sempre o passo seguinte, o outro, o outro.
Os amantes são os insaciáveis,
os que sempre – que bom! ¬– hão de estar sós.
Os amantes são a hidra do mito.

Têm serpentes em lugar de braços.
As veias do pescoço dilata-se-lhes
também como serpentes para asfixiá-los.
Os amantes não podem dormir
porque se adormecem são comidos pelos vermes.
Abrem os olhos no escuro
e cai neles o espanto.
Encontram escorpiões debaixo do lençol
e a sua cama flutua como sobre um lago.

Os amantes são loucos, apenas loucos,
sem Deus e sem diabo.
Os amantes saem das suas grutas
trémulos, famintos,
para caçar fantasmas.
Riem daqueles que tudo sabem,
dos que amam para sempre, veridicamente,
dos que acreditam no amor
como uma lâmpada de azeite inesgotável.

Os amantes brincam a agarrar a água,
a tatuar o fumo, a não se irem.
Jogam o longo, o triste jogo do amor.
Ninguém se há-de resignar.
Dizem que ninguém se resignará.
Os amantes envergonham-se de toda a conformidade .
Vazios, mas vazios de uma costela à outra,
a morte fermenta-lhes por detrás dos olhos,
e eles caminham, choram até à madrugada
em que comboios e galos se despedem dolorosamente.

Chega-lhes por vezes um odor a terra recém-nascida,
a mulheres que dormem com a mão no sexo,
deleitadas,
a arroios de água terna e a cozinhas.

Os amantes põem-se a cantar entre lábios
uma canção não aprendida,
e vão-se embora chorando, chorando,
a formosa vida.

Jaime Sabines, Poemas del Alma
(Tradução de Anthero Monteiro)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

MAR / MULHER: tema para a Onda Poética de Julho


Sessão da Onda Poética de 20/7/2011

Tema: MAR / MULHER

Coordenação: ANTHERO MONTEIRO

Música: CARLOS ANDRADE

Leituras: COLETIVO DA ONDA

21.30 horas

Biblioteca Municipal José Marmelo e Silva
ESPINHO

Entrada livre

quarta-feira, 29 de junho de 2011

QUARTAS MAL DITAS de 6 Julho: "Asas"




Próxima quarta, dia 6 de Julho, 21.30 horas, uma vez mais no piano-bar do Clube Literário do Porto, Rua Nova da Alfândega.


Tema: "ASAS"

Poesia, Música, Conversas.

Leituras pelo coletivo das Quartas:

- Ana Almeida Santos

- Anthero Monteiro

- António Pinheiro

- Cláudia Pinho

- Diana Devezas

- Luís Carvalho

- Rafael Tormenta

Música por RUI PAULINO DAVID.

Convidado: SILVINO FIGUEIREDO (ex-TAP)

Guião / Coordenação: ANTHERO MONTEIRO



Entrada livre.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Onda Poética na Biblioteca








A Onda Poética de Espinho vai estar, a partir deste mês de Junho, dia 15, na nova Biblioteca Municipal José Marmelo e Silva, na Av. 24.


Por isso, o tema da sessão será VIAGEM NA BIBLIOTECA, uma incursão pelos livros, pelas estantes, pelas salas, pelas leituras, pela poesia relacionada.


21.30 . no jardim interior da Biblioteca, leremos poesia e ouviremos as belas vozes e os instrumentos do grupo Vozes Trinadas (e vale bem a pena!).


Coordenação de Anthero Monteiro


Organização desta sessão por Manuela Correia e Maria Mar


Leituras pelo coletivo da Onda.


A sessão do próximo mês de Julho será também na terceira quarta-feira do mês, dia 20/7.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

POESIA SOBRE CARRIS nas Quartas Mal Ditas




Dia 1 de Junho
22 horas

Sessão das QUARTAS MAL DITAS


no Clube Literário do Porto


Tema: POESIA SOBRE CARRIS



Guião de ANTHERO MONTEIRO


Música por RUI PAULINO DAVID


Leituras de: AMÍLCAR MENDES / ANA ALMEIDA SANTOS /ANTÓNIO PINHEIRO /ANTHERO MONTEIRO / CLÁUDIA PINHO / DIANA DEVEZAS / LUÍS CARVALHO / RAFAEL TORMENTA


Colaboração de FÁTIMA DIOGO LOPES


Entrada Livre