
A água deve ser tão alegre como o sol. Se não, olha como correm felizes, sob ela, as crianças, fortes e coradas, com as pernas nuas. Vê como os pardais entram, num alvoroçado bando súbito, na hera — na escola, como diz Darbón, teu médico.
Chove. Hoje não vamos para o campo. É dia de contemplações. Olhem como escorrem as goteiras do telhado. Olha como se lavam as folhas verdes, como o barquito das crianças, ontem parado entre a erva, voltou a navegar na valeta. Olha agora, neste sol instantâneo e débil, como é belo o arco-íris que sai da igreja e morre, num vago vislumbre, a nosso lado!
Juan Ramón Jiménez,
Platero e Eu
Poeta espanhol, n. em 1881, f. em 1958.
Prémio Nobel (1956)