segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ciprestes

Vieira Portuense,
Ciprestes,
1789















E de repente aqueles ciprestes
aquela luz que não se sabe de onde
chove cinza e prata estriada de
finas veias.

Sentes uma presença fugidia
junto do cipreste mais elevado.
Não faças caso
é apenas luz.

Passa sem te voltares
faz de conta que não percebes
não saúdes ainda –
luz, cinza, prata

no rumor do silêncio das folhas
verás que será um deus
quem te saúda primeiro.
Aqueles ciprestes –
o meu campo a minha árvore o meu jardim.

João Miguel Fernandes Jorge, Museu das Janelas Verdes,
Lisboa, Relógio d’Água, 2002