
Os olhos seguem o tijolo
no alçar dos tectos

hastearam paredes, estenderam
para o alto os muros
zelosos
da sombra de si mesmos
subiram pelo ar
as varandas
vão exibir gestos, lenços
seios entreabertos
buracos negros
as janelas
escurecem
- é a noite que tem
onde ficar

no lugar dos vidros
as manhãs irão abrir
do sol
a imensa mão
entretanto a luz do dia
tropeça no ventre
da casa em construção.
Luiza Neto Jorge