
sábado, 9 de maio de 2009
O relógio

Foto A.M.
Pára-me um tempo por dentro
passa-me um tempo por fora.
O tempo que foi constante
no meu cotratempo estar
passa-me agora adiante
como se fosse parar.
Por cada relógio certo
no tempo que sou agora
há um tempo descoberto
no tempo que se demora.
Fica-me o tempo por dentro
passa-me o tempo por fora.
José Carlos Ary dos Santos, Obra Poética,
Lisboa, Edições Avante, 1994, 4.ª ed.