Imagem de Atenas,
onde Cavafy,
natural de Alexandria,
morreu em 1933(Foto
Anthero
Monteiro)
Dizes: “Vou-me embora para outras terras, vou-me embora para outro mar.
Existirão outras cidades melhores do que esta.
Todos os meus esforços - estava escrito - foram malogrados
e o meu coração jaz enterrado como um cadáver.
Até quando vai minha alma ficar assim estagnada?
Para onde quer que eu olhe, para onde quer que eu dirija a vista,
o que se vislumbra não é mais que a ruína negra da minha vida,
que anos a fio tratei de estragar e dissipar.”
Não encontrarás novas terras, não encontrarás outro mar.
A tua cidade seguir-te-á. As ruas por onde andares
serão as mesmas. Serão os mesmos os bairros, as casas
onde irão encanecer os teus cabelos.
Chegarás sempre à mesma cidade. Não há esperança
de encontrar um barco ou um caminho para outra terra.
Se esbanjaste a vida aqui neste recanto do mundo,
foi no mundo inteiro que tu a dissipaste.
Constantin Cavafy
(Tradução de Anthero Monteiro)