
Alceu
de Mitilene
Bebamos.
Porquê esperar pelas lucernas?
O dia é um dedo.
Traz as taças grandes, meu amor, as coloridas taças.
O filho de Sémele e de Zeus
deu o vinho aos homens para esquecimento das desgraças.
Enche-as,
uma de vinho para duas de água,
e que uma taça a outra empurre.
Alceu
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Poeta grego, n. de Mitilene, ilha de Lesbos, que viveu nos séculos VII e VI a. C.
Os seus versos, que são geralmente de cunho político, são também em grande parte de inspiração epicurista e obedecem aos temas da guerra e da pátria, mas também do vinho e do prazer dos sentidos.
Por isso, em 1703, o Papa Gregório VII mandou queimar as suas obras em Constantinopla, conjuntamente com obras de outros poetas, fazendo deste modo um grande serviço à Cultura e à Humanidade (um dia destes alguém mandará queimar a obra de Saramago e outras...).
De Alceu restam apenas cerca de 80 fragamentos, um dos quais repete a ideia do poema transcrito:
"Não se deve entregar o coração a coisas ruins, pois nada lucraremos entristecendo-nos, ó Baco, e o melhor remédio é mandar que nos tragam vinho para nos embriagarmos."
Cf. http://recantodasletras.uol.com.br/biografias/923850
Cf. também, pela similitude da proposta, o poema "Embriaga-te" de Charles Baudelaire, inserto neste blogue.