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A.M.
Vais perguntar outra vez porque existes?
Para quê? Para ficares com os olhos do tamanho de ilhas tristes?
Pois não sabes que já milhões como tu e como eu
pediram em vão às aves
que procurassem nas nuvens aquela Porta
de que nem a Morte tem as chaves?
E quem a abriu? Quem sabe que Porta é?
(Rapaz! Mais um café!)
José Gomes Ferreira, «Café» (1945 a 1948) in Poesia III